Conforme a rotina normal das aulas era retomada após as fortes chuvas, as histórias de casas que caíram, pessoas que morreram e do risco permanente de deslizamento nas comunidades chegavam às salas de aula. Era o assunto do momento: tanto os relatos tristes quanto a insegurança dos próprios alunos. Como será se chover de novo? Minha casa pode cair? Se eu estiver sozinho em casa, o que devo fazer?
deslizamento no morro da Mangueira
Estratégia semelhante à adotada em situações de violência na comunidade, as “rodas de chuva” foram as atividades escolhidas pelas educadoras para trabalhar o tema. Uma forma de ajudar as crianças a se entenderem dentro do problema para se proteger e superá-lo. “As rodas acontecem pelo menos uma vez por semana, em Vila Isabel e na Mangueira. Nas próximas semanas teremos convidados, como um gari comunitário, um geofísico e membros das associações de moradores”, conta Lolla Azevedo, coordenadora pedagógica das casas.
Crianças reclamam do lixo e decidem agir
Durante as aulas, as crianças puderam dividir suas tristes experiências, mas também a buscar soluções. O lixo e moradias em risco estão entre as grandes preocupações dos pequenos. No Morro da Mangueira, eles criaram um grupo de conscientização para andar pela comunidade e conversar com os moradores. De acordo com Lolla Azevedo, a solução passa, também, pelo poder público: “os garis comunitários estão sendo demitidos e não existe recolhimento de lixo na maior parte da comunidade. Os moradores têm de andar muito para encontrar um local para deixar o lixo, isso quando esse local existe”, conta.
>>> Acompanhe o dia a dia das “rodas da chuva” no twitter: @casadaarte
Educador: saiba mais sobre esta prática pedagógica

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